O certificado de material chega junto com a carga, vai grampeado à lista de embalagem e acaba arquivado. Três anos depois, quando uma junta vaza ou um auditor pede a corrida, esse papel é a única coisa que diz qual aço foi entregue. Conferi-lo no recebimento leva uns vinte minutos; descobrir anos depois que não fecha leva meses.
Esta página trata o lado de quem recebe: o que olhar, em que ordem, e o que um certificado não consegue provar por mais bem apresentado que esteja. Para a explicação do lado do fornecedor, a página de certificados de ensaio de material cobre os tipos EN 10204 e o que emitimos. Aqui é o que fazer com o certificado depois que ele está na mão.
Passo 1: confirmar que o tipo de documento é o que foi pedido
O tipo vem no cabeçalho e é a primeira coisa a comparar com o pedido. A EN 10204 tem quatro tipos: 2.1 é declaração de conformidade sem resultados, 2.2 é relatório de ensaio com valores que não vêm da sua corrida, 3.1 é certificado de inspeção com valores da sua corrida assinado pelo representante de inspeção do fabricante, e 3.2 acrescenta a assinatura de um inspetor de fora do fabricante. Um documento intitulado “certificate of compliance” e sem valores de ensaio é um 2.1, qualquer que seja o nome.
Num 3.1 a assinatura tem de vir da função de inspeção do fabricante, independente da produção na estrutura. A assinatura de um gerente comercial, ou um carimbo sem pessoa identificada, não atende. Num 3.2 procure a segunda assinatura e o nome do organismo que enviou o inspetor: SGS, Bureau Veritas, TÜV, DNV ou o seu próprio inspetor.
Os itens formais também contam: número do certificado, data de emissão, número de páginas declarado contra as entregues, a norma do material e a edição que o pedido nomeia, e ausência de correções à mão. Um valor corrigido deve ser reemitido com nova revisão, não riscado e rubricado.
Passo 2: seguir o número da corrida até as peças
O número da corrida é a única ligação entre o papel e o aço. Ele aparece no certificado, na marcação da peça (cunhada, gravada ou em etiqueta) e na lista de embalagem. Os três têm de bater. Se o embarque traz peças de várias corridas, cada corrida precisa dos seus resultados e a lista tem de dizer de qual corrida veio cada peça: um certificado com uma corrida para três corridas entregues é falha documental, não simplificação.
Vale perguntar até onde vai a corrente. Numa peça forjada normalmente há dois documentos atrás do certificado que você recebe: o certificado da siderúrgica para o tarugo e o certificado de forjamento que cobre tratamento térmico, ensaios mecânicos e END. O número da corrida deve ser rastreável nos dois. Em óleo e gás a especificação costuma fixar isso: a API Spec 20C, norma de peças forjadas em matriz fechada para a indústria de petróleo, exige identificação por lote de corrida, e um certificado que não consegue isso não atende ao pedido.
Peças pequenas sem marcação são normais; nesse caso a lista de embalagem carrega a correspondência entre corrida e quantidade. O que não é normal: certificado sem número de corrida, ou um número que não aparece nem na carga nem nos papéis.
Passo 3: ler os valores contra os limites, não contra o nome do grau
Um nome de grau no certificado não prova nada. O que importa é se cada resultado cai dentro do limite da sua especificação e se esse limite está impresso ao lado. Um certificado que traz 585 MPa sem o requisito ao lado obriga você a abrir a norma para saber se passou.
Composição química. A análise de panela é tirada do banho antes do forjamento; a de produto, da peça acabada. Numa peça forjada é a análise de produto que mostra o que o forjamento e o tratamento térmico fizeram, então é ela que deve ser pedida. As duas devem vir com seus próprios limites, que não são iguais: as tolerâncias da análise de produto são mais amplas que os limites de panela.
Propriedades mecânicas. Resistência à tração, limite de escoamento, alongamento, redução de área e energia de impacto. Energia de impacto sem temperatura de ensaio e orientação do corpo de prova não significa nada: um valor a 20 °C contra exigência de −46 °C não é aprovação. No Charpy deve estar claro se é valor individual ou média de três corpos de prova.
Tratamento térmico. Condição de fornecimento (normalizado, temperado e revenido, solubilizado, envelhecido) mais as temperaturas e tempos efetivamente registrados. É aqui que o certificado costuma silenciar: a condição é nomeada, o ciclo não. Nos graus cuja propriedade depende do ciclo (F91, duplex e super duplex, ligas de níquel), peça o gráfico ou o registro.
Ensaios não destrutivos. Norma, método, cobertura e nível de aceitação. “UT aprovado” é uma frase, não um relatório. Uma entrada utilizável nomeia norma, cobertura volumétrica e nível de aceitação, e o relatório deve acompanhar, com o registro de indicações se o nível exigir. A norma e o nível de aceitação vêm do pedido, não de um padrão do fornecedor.
Dimensões. Em peças usinadas, relatório dimensional com valores reais contra a tolerância do desenho, não apenas um visto.
O que um certificado não pode provar
O certificado diz o que o fornecedor ensaiou. Não prova que o aço da caixa é o do papel, e trocas de grau acontecem em qualquer cadeia. Essa lacuna só é fechada pela identificação de materiais (PMI) na peça.
O ponto que mais engana é o carbono. Um XRF portátil não mede carbono: o elemento é leve demais para a técnica. Por isso ele não separa 316 de 316L (a diferença está entre 0,07 % e 0,03 % de carbono), nem 1045 de 1020, e não confirma que um aço para baixa temperatura seja realmente de grão fino e ensaiado ao impacto em vez de um grau parecido. Enxofre, fósforo, alumínio, silício, magnésio, boro e berílio são afetados em graus diferentes.
A espectrometria de emissão óptica por centelha (OES) mede carbono, e é o método a especificar quando o carbono decide. O LIBS fica no meio. Em duplex e super duplex, ligas de níquel e serviço ácido, as especificações de projeto costumam exigir PMI em 100 % das peças acabadas, com relatório nos documentos de liberação. Se a sua especificação pede PMI, diga na consulta: isso muda a rota de inspeção e o preço.
Nossa prática: antes de embalar, reverificamos a identidade do material com XRF portátil, além da análise por espectrômetro de cada corrida, para que o aço que sai seja o do certificado. Quando a especificação do cliente exige verificação de carbono na peça acabada, fazemos por OES.
Quando algo não fecha
Não aceite “mandamos uma cópia corrigida depois”. O certificado tem de viajar com a carga, porque naquele momento é a única prova do que a carga é.
Escreva a divergência como não conformidade documental e diga três coisas: qual campo, em quanto, contra qual requisito. “Escoamento 355 MPa, mínimo de 415 MPa especificado no pedido (valores ilustrativos), certificado 3.1 de…” é acionável; “certificado errado” não é.
As soluções usuais, por custo: reemitir o tipo correto de documento; reensaiar a partir da peça entregue e acrescentar a análise de produto; aceitar por concessão registrando o desvio na corrida; substituir as peças. Em qualquer rota, arquive certificado e lista de embalagem como par: separados, nenhum dos dois é prova.
A lista de dez pontos
| # | Verificação | Como aparece a falha |
|---|---|---|
| 1 | O tipo corresponde ao pedido | Contra exigência 3.1 chega um 2.1 ou declaração de conformidade |
| 2 | Assina a função de inspeção, não o comercial | Carimbo sem nome, ou assinatura da produção |
| 3 | O 3.2 traz assinatura de inspetor externo | Uma única assinatura num documento que o projeto chama 3.2 |
| 4 | Número, data, páginas e edição da norma completos | Edição anterior à do pedido; páginas faltando |
| 5 | Cada resultado com o seu limite impresso | Valores soltos, sem como julgar a aprovação |
| 6 | Análise de produto na peça, não só de panela | Apenas panela numa peça sensível ao grau |
| 7 | Energia de impacto com temperatura e orientação | Número Charpy sem temperatura |
| 8 | Condição do tratamento e ciclo registrado | Condição nomeada, temperaturas ausentes |
| 9 | Mesmo número de corrida em certificado, marcação e lista | Números diferentes, ou nenhum número |
| 10 | Relatório de END anexo, com norma e nível | “UT aprovado”, sem norma, cobertura ou nível |
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- Controle de qualidade no forjamento
- API Spec 20C e NORSOK M-650
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Perguntas frequentes
Um certificado 3.1 é o mesmo que certificado de usina?
Na prática, sim. O da usina cobre o tarugo; o 3.1 que você recebe de uma peça forjada cobre forjamento, tratamento térmico e ensaios. Os dois usam a numeração EN 10204, e a ISO 10474 emprega internacionalmente os mesmos rótulos 2.1, 2.2, 3.1 e 3.2.
Dá para verificar um certificado sem abrir a embalagem?
O documento por inteiro: tipo, signatário, limites, declarações de rastreabilidade. As peças não. O PMI é o passo que exige a peça na mão, e o único que detecta troca de grau.
Quanto tempo leva a verificação no recebimento?
Cerca de vinte minutos num embarque de uma corrida: os itens documentais são visuais, os de dados vão contra limites que você já tem e os números de corrida são uma conferência tripla. Com várias corridas leva mais, porque cada uma tem os seus resultados.
E se a especificação pede PMI e o certificado não menciona?
Certificado não substitui PMI; respondem a perguntas diferentes. Inclua o relatório de PMI nos documentos de liberação e especifique o método (XRF ou OES) no pedido, porque só o OES responde à pergunta do carbono.
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Publicado por Zhejiang Longrui Forging Co., Ltd.
Informações técnicas de referência. As especificações e os requisitos de inspeção aplicáveis devem ser acordados para cada pedido. Dúvidas sobre esta nota: sales@longruiforging.com